Quem hoje vê o Bulevar Arrudas em Belo Horizonte / Minas Gerais, mais precisamente no encontro da Rua dos Tupinambás com a Avenida dos Andradas, pode não lembrar de um dos piores acidentes envolvendo um ônibus coletivo, da linha 1505 – Alto dos Pinheiros / Tupi, que caiu no Ribeirão Arrudas deixando nove passageiros mortos e 52 feridos, neste mesmo local.
Segundo Assessoria do Corpo de Bombeiros, a maioria dos feridos, foram internados com fraturas e escoriações diversas. O ônibus caiu de uma altura de 12 metros, no dia 16 de julho de 1999.
O sargento Helton Rosa do Corpo de Bombeiros, relembra que ao chegar, no local, ficou espantando com o grande número de vítimas. Ele relata que juntamente com a equipe de resgate teve que agir rápido, a primeira medida foi imobilizar os feridos para depois transportá-los para fora do leito do Ribeirão Arrudas. O bombeiro alerta que quando as pessoas presenciarem qualquer tipo de acidente que haja vítimas é necessário ligar para 193 e informar o local do acidente, o número de vítimas aproximado e o tipo de veiculo envolvido.
O motorista José Paulino de Souza dirigia o ônibus da linha 1505 Altos dos Pinheiros / Tupi da "Viação Progresso Ltda”, que caiu no Bulevar Arrudas foi condenado em janeiro de 2004, a nove anos de detenção em regime semi-aberto. O Juiz do julgamento foi o magistrado José Dalai Rocha, da 6ª vara Criminal de Belo Horizonte. A pena foi registrada com o número de processo 024.99.113.774-6. O motorista ainda está foragido e aguardar cumprir mandato de prisão desde 30/01/2008, segundo o processo judicial.
As testemunhas disseram que o motorista avançou o sinal da Rua dos Tupinambás, para entrar na Avenida dos Andradas e foi atingido em sua lateral esquerda por um Fiat/Tempra que vinha pela Avenida, no sentido Praça da Estação - Santa Efigênia. Com o impacto, o ônibus desgovernou, rompendo o muro de proteção e caiu no Arrudas com as rodas para cima.
Segundo o juiz José Dalai Rocha, pessoas morreram de forma horrível: presas nas ferragens e sufocadas pelas águas de esgoto. Ele disse que "raramente um acidente de tamanhas proporções encontra provas tão evidentes e insuspeitas para esclarecê-lo", referindo-se aos depoimentos das pessoas, pedestres e motoristas que passavam pelo cruzamento na hora do acidente e aguardavam exatamente a sinalização para prosseguirem.
O laudo pericial relata que: "o ônibus estava em velocidade ascendente no momento do impacto, ou seja, o condutor da unidade não usou o mecanismo de freio nos momentos iminentes ao acidente".
O juiz concluiu que o motorista não observou as cautelas mínimas exigidas para o exercício da profissão e "dezenas de famílias foram atingidas material e psicologicamente para todo o resto de suas vidas".
O engenheiro mecânico Maurício Marcatti Ferri, afirma que “a falha mecânica pode existir sim. Em uma situação como a descrita, em que houve o choque lateral de outro veículo promovendo a alteração de trajetória, o condutor do veículo atingido tende a acertar o rumo. Neste momento o sistema de direção é solicitado e deve responder de imediato ao comando. Porém o sistema de direção dos veículos possui diversos pontos de articulação, que podem apresentar folgas, e que, somadas tornam a condução de qualquer veículo insegura. O condutor deve possuir maior habilidade e rapidez na direção para compensar o atraso do sistema devido às folgas”, disse.
Segundo Maurício Marcatti Ferri, a outra possibilidade que pode ocorrer e que não foram relatadas no histórico, são as quebras de componentes do sistema de direção e de suspensão causados por fadiga de material, que tem como causa a aplicação contínua de esforços acima da tensão de trabalho para as peças. A ruptura de peças por fadiga pode ter como agravantes falhas no projeto de montagem e de esforços submetidos à peça pelo seu uso inadequado.
O engenheiro Marcatti, alerta que é bom fazer uma manutenção adequada e com periodicidade ajustada às condições de utilização do veículo no qual reduz a possibilidade de falhas mecânicas.
Com o casamento marcado Eudiléia Lopes Figueiredo, de 32 anos, que era estilista e pintora, foi uma das vítimas fatais neste grave acidente.
Eudiléia iria se casar em dezembro de 1999 e estava preparando o enxoval, mas o dia do acidente foi o fim de seus sonhos, de se casar e ter filhos. A mãe de Eudiléia a costureira Jonilde Lopes Figueiredo disse que ficou sabendo da morte da filha através da televisão.
Jonilde relata que viu o corpo da filha sendo retirado do leito do Ribeirão Arrudas através das imagens transmitidas pela TV e que naquele mesmo momento sua televisão queimou. Seus filhos disseram que não era a Eudiléia, mas ela reconheceu a filha pela TV. No dia do acidente, Eudiléia tinha saído mais cedo do trabalho e estava indo para sua casa.
No momento que reconheceu o corpo, Jonilde afirmou que o mundo parecia ter acabado para ela. Conta, que os documentos da filha desapareceram e teve que tirar as segundas vias no Espírito Santo, estado no qual Eudiléia nasceu. Para conseguir que a filha não fosse sepultada como indigente.
Jonilde conta que a família e os colegas de trabalho da filha ficaram muito abalados com a morte da jovem e que a família foi indenizada, após fazer um acordo com os advogados da empresa de ônibus.
Ela afirma que os anos se passaram, mas que senti muita saudade da filha: “nunca vou esquecer, essa perca nunca não vai ser superada”, afirma Jonilde Lopes, que colocou fotos do trabalho de sua filha na parede de sua casa, um jarro e duas mãos, a mão da filha sobre a do noivo, uma recordação de seu belo trabalho, ressalta.
De acordo com Jonilde Lopes, a filha era muito amorosa e muito querida por todas as pessoas que a conhecia, adorava crianças, viajava bastante e não perdia as festas de fim de ano com a família.
Pessoas como a dona de casa Odília de Oliveira, avó de uma das vítimas, também relembra muito emocionada o acidente em que faleceu o neto Welinton Souza de Oliveira, de 23 anos. Ela disse que ele tinha um sonho e uma vida que foi interrompida no dia 16 de julho de 1999. Welinton ia ser pai do primeiro filho e que na época sua esposa estava grávida de dois meses. Hoje a criança está com nove anos e não teve a oportunidade de conhecer o pai.
Odília de Oliveira afirma que ficou sabendo da morte do neto através da televisão. Ela estava assistindo a TV, quando foi noticiada a lista dos passageiros sobreviventes e os que faleceram no local. Quando recebeu aquela notícia, ela disse que ficou em estado de choque e péssima.
Segundo Odília de Oliveira, a família já foi indenizada. Quase 10 anos depois da tragédia, Odília, lembra com tristeza a morte do neto. Ela disse que não tem rancor do motorista, o que tiver de acontecer acontece, “essa é a cruel realidade da vida”.
A babá Rosângela Moreira da Silva, 43 anos, foi uma das pessoas que sobreviveram ao acidente. Ela disse que, quando o ônibus caiu dentro do Ribeirão Arrudas, estava cochilando e acordou com o barulho, então percebeu que era acidente.
Rosângela comenta que procurou sair de dentro do coletivo e ajudou a socorrer algumas pessoas que estavam próximo dela. Ela disse que machucou pouco e não teve seqüelas. Rosângela afirma que a Viação Progresso, ofereceu assistência médica e farmacêutica.
A Babá afirmou que não guarda nenhum rancor em relação ao motorista. E argumentou que após o acidente, sua vida teve mudanças “durante algum tempo fiquei assustada quando estava em algum ônibus”, mas ela disse que este trauma já passou. Hoje ela não lembra do acidente, exceto quando é a data do acidente.
Segundo ela, não houve necessidade de processar a empresa de ônibus, tudo que reivindicou foi atendida, incluindo a indenização. Rosângela alerta as pessoas que podem ser vítimas de acidente. Ela disse que durante o acidente as pessoas devem procurar manter a calma e quanto aos seus direitos e fazer valer a Lei e buscar informação “O principal é fazer garantir o seu tratamento médico de forma completa” ressalta Rosângela.
O motorista Reinaldo Jardim dos Santos, na época era amigo do ex - motorista José Paulino de Souza, que estava dirigindo o ônibus 1505 no momento do acidente. Trabalhava na mesma empresa, Viação Progresso, disse que conhecia José Paulino, a mais de um ano.
Reinaldo disse que José Paulino se relacionava bem com os colegas de trabalho. Para ele, o ex - motorista era uma pessoa bacana. Segundo Reinaldo, José Paulino trabalhou cinco anos na empresa do coletivo antes de ser demitido. Reinaldo afirmou que José Paulino tinha bastante experiência como motorista. Ele disse que José Paulino era considerado pelos colegas de trabalho um bom motorista.
Segundo Reinaldo, no mês no qual aconteceu o acidente José Paulino, estava de férias, um dia depois após voltar das férias, aconteceu á tragédia. O motorista afirmou que José Paulino, ficou arrasado e teve problemas psicológicos e nunca mais foi visto no Bairro Tupi onde os sobreviventes moram. Reinaldo disse que após o acidente também não viu ele mais.
Segundo a psicóloga Pakisa Araújo Novais, esse tipo de acidente, “afeta os familiares e os amigos de uma maneira totalmente inesperada, com o susto, a falta de explicação, a ausência da pessoa querida” disse. Até mesmo o sobrevivente pode ter graves seqüelas. As pessoas que sofreram o acidente podem adoecer mais rápido ou até mesmo falecer por causa do sofrimento.
Pakisa Araújo disse que as pessoas que são bem equilibradas emocionalmente vão sofrer, mas não chegam a ficar doentes. Pakisa afirma que é uma experiência marcante do ponto de visto negativo, porque as pessoas podem até ficar com medo de andar de ônibus novamente. Para ela, cada um tem um tempo, “esquecer acho que não, amenizar o sofrimento sim”, diz. A psicóloga alerta que há como minimizar os efeitos dessa dor “hoje existem grupos especiais de psicólogos, médicos, psicoterapeutas que vão buscar alternativas na própria ciência para diminuir a dor dos familiares”.
Pakisa Araújo afirma que existe o grupo de alta ajuda. Cada pessoa testemunha sua dor e cada um doa o que tem e se completa com experiências e palavras de encorajamento para enfrentar a situação com equilíbrio e racionalmente.
Em casos individuais a psicóloga disse que é melhor recorrer a uma clínica de psicoterapia de intervenção, para auxiliar na recuperação da saúde do individuo.
Repórter: Gleide Glória dos Santos
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Boletim Informativo




INFORMATIVO DO DIA 30/11/2008 Edição Nº. 1/2008
Texto elaborado por Gleide Glória
A falta de segurança em dias de jogos
No domingo dia 23 novembro, torcedores do Cruzeiro e do Flamengo brigaram próximo ao Mineirão antes de começar o clássico entre as duas equipes. A confusão foi tão grande que a polícia militar teve de controlar usando bombas para conter o tumulto. Mas esta rixa vem desde o primeiro turno do Campeonato Brasileiro, a briga aconteceu no bairro de Copacabana no Rio de Janeiro, marcada através do Orkut site de relacionamentos, a torcida organizada do Flamengo Raça Rubro Negra (RRN) e Torcida Jovem Fla (TJF) brigaram com a torcida da Máfia Azul do Cruzeiro. O motivo da primeira briga influenciou no clássico de domingo, seria então a revanche dos torcedores de ambos os times.
Nos dias de jogos no Mineirão, roubos e furtos a torcedores, além de agressões físicas e morais por parte dos vândalos, tem sido constante. Devido a estes atos, os torcedores reclamam da falta de segurança dentro e fora do estádio. O policiamento segundo a PM tem sido reforçado nos dias de jogos.
Cecílio Gonçalves, chefe do policiamento externo do Mineirão, disse que há diferença na estratégia de policiamento em dias de jogos do Atlético e do Cruzeiro, alguns fatores definidos são importante serem analisados, previsão de público, dia do jogo, se será transmitido, se o tempo está chuvoso ou não, qual será o time adversário, tudo isso definirá a estratégia de segurança. Para cada classe de público são disponibilizados os números de homens em trabalho: Classe A 60 mil torcedores, classe B 45 mil, classe C 35 mil, classe D 10 a 20 mil, classe E cinco a 10 mil. É feita uma previsão de publico em cada jogo, depende da posição do time, se o time estiver bem na série que disputa o número de torcedores é maior e antes de cada jogo os organizadores se reúnem para estipularem e definirem uma previsão do público e quantos homens vão trabalhar.
A estratégia utilizada para diminuir a violência principalmente fora do estádio, é fazer estudos estatísticos para saber onde há maior índice de crimes e de maior ocorrência, sendo feito assim maior policiamento e prevenção, diminuindo os incidentes atacando direto no foco do problema. Segundo os torcedores o policiamento não atende a demanda. Anselmo Duarte, torcedor do Atlético, percebo que tanto na ida, quanto na volta existe policiamento pequeno. Na opinião dele o que pode ser melhorado por parte da PM é ser mais ostensivo nas proximidades do Mineirão e os policiais mais bem preparados e treinados, para atuar quando precisar. Normalmente não leva sua família num jogo, ele prefere ir sozinho, se houver algum problema não há preocupação, eu penso só em me defender no caso, a minha defesa é correr e ir embora. Sua sugestão ao chefe de policiamento é tratar os pais com filhos pequenos de uma forma mais educada na abordagem, o maior policiamento feminino para poder ajudar as mulheres e o maior número de contingente mesmo. O motivo da falta de torcedor é quando a pessoa sai de casa, para assistir um jogo como lazer ou divertimento, mas ele tem certeza que não vai ter uma tranqüilidade, naquele local de lazer, então ele procura outra opção que ele sabe que vai chegar em casa com sua integridade física mantida.
Para Gilmar Rodrigues, torcedor do Atlético, em dias de jogos, em alguns lugares ficam sem policiais e outros lugares ficam cheios, assim não atendem a demanda. Para ele o que pode ser melhorado por parte da PM é distribuir melhor os policiais e não deixa todos juntos. Não sente tranqüilo em trazer sua família, por falta de segurança. Sua reclamação ao chefe de policiamento é distribuir os policiais nas portarias do Mineirão. Os motivos da falta de torcedor é a segurança precária, violência, freqüência de furtos e roubos na entrada do estádio.
José Herculano Batista funcionário da Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais (ADEMG), disse que a empresa não tem interferência no policiamento o qual é responsabilidade da Federação Mineira de Futebol que faz a solicitação do policiamento. Não há reclamação dos funcionários do estádio sobre ação da polícia. Ele afirma que a polícia trabalha de acordo. As reclamações dos torcedores são freqüentes, o torcedor reclama quando há assaltos e roubos de carros e não encontram nenhum policial por perto. As reclamações contra a ação da polícia vem apenas dos baderneiros, pois a ação da polícia é firme. Os baderneiros fazem tumulto e na mesma hora, a polícia controla a situação.
Milhares de jovens brasileiros já morreram por causa de torcidas. Por motivos simples. Os fatos dos torcedores estarem com as camisas de seus clubes, influenciam em brigas e tragédia. Hoje não podemos usar camisa de clubes em qualquer lugar pela falta de segurança dentro e fora do estádio. A polícia precisa reforçar mais o policiamento em dias de jogos nas grandes cidades brasileiras para conter a violência.
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# Reta final da Série A do Campeonato Brasileiro meche com coração dos torcedores
terça-feira, 11 de novembro de 2008
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
domingo, 1 de junho de 2008
Anos de Chumbo e a Mídia
Seqüelas, maus tratos, atos de tortura marcaram as vidas de pessoas que viveram no período chamado Ditadura. Muitas das vítimas da época já receberam indenizações, outras nem sequer os corpos de seus familiares desaparecidos durante os anos de chumbo. E a pergunta que fica é: como a mídia atuou, e em que ela colaborou para o desenrolar dos fatos do ano de 1968?
Não podemos falar sobre o papel desempenhado pela mídia em 1968 sem contextualizar as circunstâncias nas quais ela estava inserida. Então vamos lá, em 22 de novembro de 1968, foi criado o Conselho Superior de Censura. O principal objetivo era a infiltração de agentes do governo nos meios de comunicação, para descobrir e identificar possíveis notícias contrárias ao regime ditatorial instalado no país. Os funcionários do regime incumbidos desta tarefa agiam, amparados pelo Ato Institucional número cinco (AI – 5), um dispositivo que priva o cidadão do direito a liberdade de expressão.
A atuação da mídia durante os governos militares, mais especificamente a partir de maio de 1968 foi destaque na palestra com o tema “Mídia nos Anos de Chumbo” realizada pela Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte, no dia 29 último. Participaram estudantes dos cursos de Jornalismo e Publicidade, professores e o palestrante jornalista Lélio Fabiano dos Santos. O objetivo foi promover uma discussão sobre a imprensa brasileira no ano de 1968.
Segundo o jornalista Lélio Fabiano dos Santos a imprensa se comportava obedientemente durante a ditadura, se escrevesse algo contra o militarismo ditatorial o jornalista era preso. “A mídia não teve o papel de fazer o movimento acontecer”, diz Lélio Fabiano. Mas ressaltou que “a mídia na década 60 e 70 fez um bom trabalho”, apesar de ser fiscalizada de contínuo. Ele também destacou que os meios de comunicação de hoje tem a função de democratizar a informação.
Durante a palestra também foi comentada a prisão de Gilberto Gil e Caetano Veloso, presos no Rio de Janeiro no dia 22 de dezembro de 1968. Os dois foram acusados de tentativa de “quebra do direito e da ordem institucional”.
Para o estudante Leonardo Martins a faculdade acertou em trazer uma personalidade como o jornalista Lélio Fabiano dos Santos que é uma pessoa de destaque nestes assuntos, na opinião dele. Ele disse que valeu a pena pela questão do conhecimento adquirido na palestra.
A estudante Daiana Barbosa gostou da palestra. “O palestrante foi conciso ao abordar o tema em questão”, diz. As perguntas foram relevantes e os espectadores expressaram bem sua opinião o que provocou um debate de alto nível intelectual para quem estava assistindo a palestra, afirma a estudante.
O sonho de liberdade de expressão dos participantes do movimento de 1968 foi concretizado quando da promulgação da Constituição Federal de 1988. Na qual ficam resguardados também os direitos de “ir e vir”, a “liberdade de imprensa” entre outros na chamada Constituição Cidadã.
Leia mais:
Chamada Materia Anderson Albergaria De Moraes
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Não podemos falar sobre o papel desempenhado pela mídia em 1968 sem contextualizar as circunstâncias nas quais ela estava inserida. Então vamos lá, em 22 de novembro de 1968, foi criado o Conselho Superior de Censura. O principal objetivo era a infiltração de agentes do governo nos meios de comunicação, para descobrir e identificar possíveis notícias contrárias ao regime ditatorial instalado no país. Os funcionários do regime incumbidos desta tarefa agiam, amparados pelo Ato Institucional número cinco (AI – 5), um dispositivo que priva o cidadão do direito a liberdade de expressão.
A atuação da mídia durante os governos militares, mais especificamente a partir de maio de 1968 foi destaque na palestra com o tema “Mídia nos Anos de Chumbo” realizada pela Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte, no dia 29 último. Participaram estudantes dos cursos de Jornalismo e Publicidade, professores e o palestrante jornalista Lélio Fabiano dos Santos. O objetivo foi promover uma discussão sobre a imprensa brasileira no ano de 1968.
Segundo o jornalista Lélio Fabiano dos Santos a imprensa se comportava obedientemente durante a ditadura, se escrevesse algo contra o militarismo ditatorial o jornalista era preso. “A mídia não teve o papel de fazer o movimento acontecer”, diz Lélio Fabiano. Mas ressaltou que “a mídia na década 60 e 70 fez um bom trabalho”, apesar de ser fiscalizada de contínuo. Ele também destacou que os meios de comunicação de hoje tem a função de democratizar a informação.
Durante a palestra também foi comentada a prisão de Gilberto Gil e Caetano Veloso, presos no Rio de Janeiro no dia 22 de dezembro de 1968. Os dois foram acusados de tentativa de “quebra do direito e da ordem institucional”.
Para o estudante Leonardo Martins a faculdade acertou em trazer uma personalidade como o jornalista Lélio Fabiano dos Santos que é uma pessoa de destaque nestes assuntos, na opinião dele. Ele disse que valeu a pena pela questão do conhecimento adquirido na palestra.
A estudante Daiana Barbosa gostou da palestra. “O palestrante foi conciso ao abordar o tema em questão”, diz. As perguntas foram relevantes e os espectadores expressaram bem sua opinião o que provocou um debate de alto nível intelectual para quem estava assistindo a palestra, afirma a estudante.
O sonho de liberdade de expressão dos participantes do movimento de 1968 foi concretizado quando da promulgação da Constituição Federal de 1988. Na qual ficam resguardados também os direitos de “ir e vir”, a “liberdade de imprensa” entre outros na chamada Constituição Cidadã.
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sábado, 31 de maio de 2008
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